25 abril 2018

Coisas de Pobre





Depois que o País foi jogado de vez na incerteza e na barbárie, e que a cadela do fascismo está mais assanhada e protegida que nunca, só resta a este cronista esquecer o que outrora foi uma Nação e hoje apenas um ajuntamento de pessoas, e falar de coisas amenas, ou a menos sobre as pessoas que compõe este pedaço de terra.

Dois fatos desta semana marcaram minha fala de hoje, e que eu reputo como Coisas de pobre. O primeiro por ser afeto a pobre mesmo, o segundo por ser de pobre mentalidade.

Vamos ao primeiro: Dona Maria, manicure, adquiriu um imóvel popular por contrato de gaveta. A construtora cobrou-lhe uma dívida antiga à razão de dois mil reais por mês. Ela disse que ganhava 1.300,00 reais e não podia pagar assim. Procurou o Conselho de Direitos Humanos e entrou com um processo: pobre, mas honrada queria pagar, mas um montante compatível com sua renda. Pois o juiz, com muita classe, e confirmando sua classe,  não só indeferiu sua petição alegando que ela não era a verdadeira dona do imóvel – contrato de gaveta – como ainda aplicou-lhe uma multa de 20.000,00. O que torna a sentença contra uma pobre de Cristo senão cruel, ao menos ridícula. Cabe recurso. Que custará mais tempo e dinheiro –  para os não pobres, tempo é dinheiro.

O segundo caso foi o de uma madame que resolveu festejar seu niver numa dos mais chiques restaurantes do Rio. Perguntou se podia levar sua própria torta. A casa assentiu. Pode trazer sua torta sim, disse a atendente com grande simpatia. Mas no final da festa a Casa cobrou cem reais pelo uso da geladeira onde ficou guardada a torta. Mentalidade pobre, tanto da casa em por ganância cobrar pela guarda, quanto da madame por não querer pagar pela torta da Casa, levando a sua própria, o que a torna, pode-se chamar uma marmiteira de luxo.

Cabe recurso na Justiça que dará naturalmente ganho de causa ao mais rico, se a Casa ou a Madame. Mas um recurso que sairá mais caro que se a madame ficar calada e morrer nos cem merréis pelo uso da geladeira de ouro.

Madame, como a manicure pode recorrer ao Conselho dos Direitos Humanos declarando que ela, que depois de tantas plásticas tem a cara mais torta que a própria torta, tem o direito humano de comer a torta dela, com sua boca torta, em qualquer lugar sem pagar por isso.
Sei que são dois motes diferentes, mas com certeza justificam o título: coisas de pobre.
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24 abril 2018

O Faquir e o Jejum

Silki, o Faquir brasileiro





Quando eu era menino havia um faquir.
Era um faquir mesmo, com turbante e tudo. Lembro que ele uma vez ficou quarenta dias jejuando. Ele não disse , mas hoje, quando vejo mais gente, sobretudo gente da Lei,  com vocação para faquir, acreditando mais no jejum que na Constituição começo a  ter a certeza que o faquir da minha infância jejuava para derrubar o Juscelino da Presidência.

Não deu certo , nem o
jejum, nem o faquir,  que sumiu depois disso. Soube que apareceu anos mais tarde num cirquinho de pano de roda em Rio das Almas  engolindo fogo e jejuando pela família hetero top e contra a chegada do homem na Lua.

Hoje o faquir de antanho dedica-se a provar com um power point que o homem nunca chegou na lua, graças ao seu jejum.
Diz ele: 
- Aquilo tudo foi montado num estúdio de Hollywood. Meu jejum é poderoso. Muitas coisas que jamais aconteceriam aconteceram só por causa do seu jejum.

Afirma que graças ao seu jejum, e só o dele, de mais ninguém o papel higiênico passou a obedecer as marcas de corte certinhas.
Que graças ao seu jejum o óleo de soja substituiu a banha nas cozinhas de todo o País.
Também uma vez foi chamado às pressas para jejuar e conseguir que o Chile desaparecesse e a Bolívia chegasse até o Pacífico. Mas foi derrotado por um pão de mel que ele não resistiu e comeu com o prazer orgástico de quem assedia  uma galinha. A Bolivia sifu, derrotada pela gula do faquir.

Jejum é coisa séria. É praticado por povos de todo o mundo, como no Brasil, um antigo País coim uma antiga civilização, ambos já desaparecidos, dizem até que era uma tal Atlandida que foi submersa por um colossal tsunami de bosta de mulas e jegues.
Diz a lenda que durante séculos o povo daquele extinto País jejuou, sobretudo os pobres, os bem pobres eram então a maioria da população e fazia uma corrente nacional de jejum cujo objetivo era  aumentar a riqueza e os bens e propriedades de meia dúzia de banqueiros e milionários que ficavam ainda mais milionários. E o jejum deu certo, por séculos  e séculos amém. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres felizes, cada vez mais pobres.

Até o dia em que apareceu um falso messias e distribuiu comida para os pobres esfomeados que não resistiram ao pão de mel de Garanhuns e comeram. Com a quebra do jejum os ricos começaram a empobrecer.

Então contra atacaram. Terceirizaram o jejum. Chamaram um bonitinho predileto de Deus para jejuar por eles, já que eles mesmo não se metem em público a dizer asnices em nome do Todo Poderoso.

O novo faquir prometeu que seu jejum vai levar à prisão o falso messias, afirmou com procuração passada no cartório da Uberlindia que Deus é apaixonado por causas que metem na cadeia quem ousa lutar pelos pobres e oprimidos, pelos simples e pelos humildes.

O faquir afirmou que Deus também atende pelo codinome de Seu Coisa, às vezes seu coisinha e é proprietário de uma rede de lojas varejistas que vendem roupas femininas e para cama, mesa, banho e jejuns prolongados.

O novo faquir fez estas declarações no domingo de Páscoa para mostrar ao Mundo seu espírito cristão,  caritativo e justo. Sua próxima proeza será ascender aos céus numa nuvem rosa e pairar de braços abertos em cima da Penitenciária da Papuda.

Mas isso já será em outro jejum. Provavelmente depois de ter alta do Hospício Central da Uberlindia.

23 abril 2018

O Inocente


A o fundo o sr. Karsteberg entre amigos, quando jovens.



O senhor Karstenberg era o que se podia considerar um homem honestíssimo.
E suas amizades sempre pautaram também pela suprema honestidade. Não entendia agora, já ancião, a prisão de seus mais íntimos amigos por corrupção nem a ameaça de abertura de seu sigilo bancário e de sua prisão pessoal.

Só podia ser uma infundada perseguição, dado o seu valor intelectual e o riquíssimo legado que deixaria para a Uberlíndia, outrora uma Nação e agora por culpa de outros apenas um pedaço de terra com gente dentro.
Perseguição, claro.

As acusações eram as mais infundadas. Desde uma que mencionava  o roubo de uma sonda urinária de um paciente ao lado seu leito na UTI até uma visita noturna ao banco de sangue do hospital para apropriar-se de sangue fresco destinado a pacientes graves.
Acusavam-no de ter fechado os portos às nações amigas, e aberto os portos às ações dos amigos.

Sua saúde estava debilitada  com as acusações; o sr Karstenberg já não saia de casa, já não aparecia em público acometido do que o seu médico particular Dr Abdelmassinha diagnosticara como o Mal de HansTemer, uma doença rara, que acometia sobretudo vice reis, vice governadores, e vices de merda, que se manifestava com os sintomas em que o doente se sentia um rato e não saía à ruas com medo de ser devorado pelos cachorros da vizinhança. A cachorrada era uma matilha que agora, mais esfomeada que nunca por cargos, propinas, benesses, e nacos de carne popular, atiçada com as acusações controlava de vez o quarteirão que ia da Padaria e Confeitaria Congresso até a cerca da Clínica Jaburu Perneta, uma clínica destinada ao tratamento de personalidades medíocres que se julgavam acima de Deus.

Karstenberg passava agora os dias amuado, calado, paranoico mesmo. Uma senhora dirigindo um velho e gasto Dodge Dart rondava sua casa com aquele alto-falante de vender pamonhas  gritando: tu não me escapas! Tu não me escapas!! Aquilo era terrível. Ele o mais honesto dos honestos, o mais justo dos justos, havia até pensado em fazer o papel de  Moyses no filme os Dez Mandamentos agora ameaçada a sua reputação com acusações vingativas, que surgiram desde o dia em que ele negara uma colherada de sorvete Dagewm Haas a uma camareira do Palácio, a sra. Ana Amélia do Passo Fundo. Assim chamada porque quando caminhava o peso dos seus encostos era tanto que seus passos afundavam a calçada por onde passava. Muito embora todos jurassem que aquela não era Ana Amélia e sim o fantasma de Robin Williams, uma Babá quase perfeita,  assombrando o castelo nas madrugadas, a ponto do sr Karstenberg dormir trancado dentro  de uma colheitadeira de soja.

Apesar do desespero e do legado que deixaria à Nação o ingrato  povo da Uberlíndia continuava como sempre : casando e  andando pro que acontecia na Capital , a cidade de Shit Roll, que os nativos insistiam em nacionalizar o nome chamando-a de Rola Bosta.

Foi então que Karstenberg percebeu que nada daquilo era real, ele era apenas uma personagem de uma série da  Notflit chamada de o Bananismo, e aquele era apenas o piloto de muitos capítulos  de violência, corrupção, e golpes baixos que viriam com o correr dos próximos episódios.

Mas uma coisa ninguém podia negar assistindo àquele piloto: o Sr Karstenberg era um canastrão como nunca houvera antes na História da Uberlíndia.

O grito unanime ecoava pelos ares: canastrão!!!



22 abril 2018

O Chicote do Gaudêncio





Abro os jornais e leio que um grupo de machos da Uberlíndia dedicou-se a espancar mulheres em praça pública. Foi então que lembrei-me de uma lenda que me foi contada por um amigo.

Facundo Gaudêncio neto  mais uma vez olhou aquele orifício logo abaixo de seu cóccix. Porque aquilo? Desde menino, desde que seu avô  o velho coronel Facundo também cismado com aquele buraco morreu depois que tentou fecha-lo com cimento e piche. O velho ainda sobreviveu por um mês antes de morrer enfezado olhando os pampas e lamuriando: foi por causa do carreteiro.

A principio pensou-se que se tratava do tradicional arroz de carreteiro, mas depois descobriu-se que o carreteiro em questão era um pernambucano motorista de carretas que passara havia tempos pelo rancho e com ele Facundão, o macho coronel centenário tivera uma noite de prazer que abalara seu trato com aquele orifício.

Daquele dia em diante o velho não se conformava com a tal abertura posterior e este trauma passara a seu neto, o Facundinho, que agora geria o agronegócio da família.
Facundinho passava horas à frente de um espelho mirando em todas a posições aquele buraco estranho fruto da morte e desgraça, vergonha e chacota de sua família há duas gerações. Menos na dele. Ele não admitia, era um autentico Facundo e seria macho até morrer.

Respeitava a ordem e a família e dizia a todos em alto e bom som: mulher de amigo meu para mim é homem. O que deixava uma mensagem ambígua sobre o que realmente ele queria dizer.

Para resgatar a honra da família que escoara pelo velho ralo do velho Facundão, Facundinho criou o hábito de bater em mulheres. Égua fêmea  tem que ser no rebenque. No pau na porrada. Seu grande trauma viera de sua avó Facunda que flagrou o velho Facundão dando o rabicó ao carreteiro e não se fez de rogada: gritava pelas coxilhas: o Facundão está dando o chicote.

Chicote! A imagem ficara no pequeno cérebro de Facundinho e era com chicote que ele afirmava sua misoginia e machidão. Mulher com ele era na chicotada. Reprimido para  usar seu fiofó, seu cachimbo, seu furico, seu orifício excretor,o seu chicote,  usava o outro  chicote com prazer espancando mulheres. Em cada uma que ele socava, espancava, pelas ruas, praças e campos de seu habitat ele se vingava de Dona Facunda.
Foi além do imaginável, Correpondia-se com grupos nazistas da Uberlindia, e chegava ao cúmulo de só permitir em suas terras o crescimento de mamão macho. Ele amava os machos.

E não o fazia sozinho, chamava para bater nas mulheres seus primos, amigos e coleguinhas de cavalhada, os mesmos com quem se deliciava de beijos e carícias nas noites de lua cheia, chamando aquela orgia gay  de camaradagem de machos. E todos tinham em comum dar porrada em mulheres. Sonhavam com separar-se da Uberlíndia e criar sua própria nação, só de machos:  com capital em Machupaca um acudade no fundo da Uberlíndia!

As mulheres eram o pesadelo na vida de Facundinho.  Não se casara. Tinha medo de virar corno, ou de que a companheirada soubesse que seu pênis era menor que um pepino orgânico.

Ha só uma certeza: Facundinho passará a vida preocupado com aquele furo inferior, batendo em mulheres, e sentindo-se o rei do gado – ou seja dos chifrudos que pastam. Quem sabe até o dia em que um carreteiro pernambucano pare nos seus pampas com sua fálica e reluzente carreta, e aí Gaudêncio Facundo Neto largaria de vez seu chicote à sorte de um nordestino enquanto cantaria : fiz a cama na varanda e mordi o cobertor

21 abril 2018

A Suprema


                                                                   Mary quando jovem.



A minha amiga Mary Delaware é Juíza da Suprema Corte do Condado de Brunswick, nos Países Altos da Nova Escócia, não sei bem onde isto fica, mas creio que deve ficar bem ao lado dos Países Baixos da Velha Escócia. Mais exatamente entre a Rocinha e o Vidigal.

A última vez em que falei com Mary Delaware ela se queixava muito dos processos que chegavam em suas mãos e das decisões, das sentenças que tinha que proferir. Eram processos os mais variados. Ela estava revoltadíssima. Ela me dizia:
-Eu ganho uma miséria. Coisa de trezentos mil euros por mês, isso não é nada, isso é uma merreca, não dá nem pra auxílio moradia. E eu tenho mais o que fazer na vida. A minha cabeleireira só tem um dia na semana em que ela pode me atender para reformar a minha mecha. ( Vale dizer que ela tem uma linda mecha no cabelo. )  A minha manicure só me atende às terças feiras; o meu ginecologista indiano só às quartas feiras... sim, eu tive um prolapso de útero quando visitei a Penitenciaria do Condado ... eu tenho a semana toda ocupada e essa gentalha pensa que eu tenho tempo pra ficar lendo, julgando, emitindo sentenças...ora! Me poupem!

E ela continuou - Há casos insolúveis, impossíveis de serem julgados. Por exemplo: uma mãe me pede que libere um medicamento importado para o filho que tem uma doença degenerativa. Como se o Tesouro do Estado pudesse gastar dinheiro com doença de criança, ora, que é isto? Deixa a vida seguir. Cumpra-se a vontade de Deus! Como eu sou cristã coloquei no fim da sentença: Tenha Fé!

Num outro caso uma mulher grávida que ainda tem três filhos, cada um com um marido diferente, pede que deseja cumprir a sentença em prisão domiciliar, só porque ela está grávida e tem três filhos. Imagina se a gente for libertar todas as grávidas que estão presas?  Além do mais esse tipo de gente é capaz de fazer filho na penitenciária só para engravidar pra ganhar a liberdade. Mas...como eu sou progressista escrevi na sentença: “Lembre-se de quantas crianças nasceram em Campos de Concentração Nazista da Alemanha e nem por isso deixaram de se tornar Homens de Bem. 

Num outro caso uma senhora de 96 anos solicitou um habeas corpus, ou um novo julgamento, por ter sido condenada a 4 anos por ter roubado um pacote de manteiga. Ora, minha senhora: tenha pudor! Na sua idade já deve saber que 100 gramas de manteiga roubada é crime tanto faz ser 100 gramas de manteiga como ser 1200 gramas de cenoura. Taquei-lhe a sentença máxima para aprender e para servir de exemplo: quatro anos de cadeia. E porque eu condenei a quatro anos? Porque sou uma pessoa do Bem,  tanto que escrevi ao final da sentença: quatro anos com noventa e seis são cem. imagine a alegria da sua família no dia da sua saída da Penitenciária, justo no dia do seu centenário, todos cantando parabéns, com doces e balas para a senhora!

Há também o caso de um carvoeiro nojento que foi acusado do roubo de dois patinhos e foi condenado a doze anos de cadeia. Ele recorreu. Ele só quer ser preso depois de ter recorrido e perdido na última instância. Eu escrevi :o que o senhor está pensando que isto aqui é? Uma linha de trem? Que vai julgando de estação em estação até a última estação...não acaba nunca?! Pare com isso, meu senhor, o Tribunal não é uma agência de turismo. Não! Pode parar! Pode parar por aí mesmo, na sua estação, na que nós estamos. Desce ele algemado e já manda pra cadeia. Vai roubar dois patinhos na casa do cacete!

E para cúmulo, veja você,  uma mãe me pediu que condenasse um policial que havia assassinado um adolescente num auto de resistência. Procurei saber! Procurei saber! Abri um inquérito: morava onde este pequeno criminoso? Num cortiço! Era branco? Caucasiano? Não! Ora, essa gente é toda perigosa ...o pobre do policial estava em serviço, apenas se protegendo, porque ele é um ser humano, ele tem família, ele tem filhos...ele ganha uma miséria. Aí sentenciei para a mãe: Indeferido. A senhora por acaso é policial? Não é! Sabe o que é ser um policial? Não sabe! E muito provavelmente o seu filho se meteu na frente da bala, ele é o culpado pela própria morte. Essa gente pobre adora se jogar na frente de bala. E finalizei a sentença de forma magistral:  Se não está satisfeita vá se queixar ao bispo! Pois não é que esta safada desta mãe entrou com embargo perguntando: qual bispo?

- Qualquer um minha senhora. O primeiro bispo que a senhora encontrar vai lá se queixar. Eu não tenho nada a ver com isso. Passe muito bem!

Aí, nesse momento, meus amigos, a competente operadora deixou cair o sinal de rede e não nos falamos mais – Mary e eu -  mas terminei a conversa com a clara sensação de que Mary Delaware,  Juíza da Suprema Corte do Condado de Brusnwick nos Países Altos da Nova Escócia é realmente uma juíza exemplar e justa. Daqui mando um abraço:

 -Um abraço, Mary! Sua mecha está linda!

20 abril 2018

A Glória Eterna da Lata de Lixo da História


Chiquinha Gonzaga, Heroína Nacional




O Rei, o mais medíocre que já tivemos desde 1927 rivalizava em brilho apenas com a Rodovia Washington Luiz e com Fulgêncio Batista.

O Soberano, outrora um jovem idealista que acreditou que se não seguisse a carreira de contador de coliformes fecais até que daria um bom advogado, trocou seu idealismo e seus sonhos de juventude por um doce bradando a célebre frase que o imortalizou às margens do Riacho da Mãe Joana: Viva o Sorvete Dagen Hausss!!!

O Rei havia mandado às favas os escrúpulos, a pátria, a constituição e até aquele menino, chato como todo filho de velho, e que cismava que tinha direito a um Ministério no reino da Uberlíndia.

Tudo ia bem para o rei até que nuvens sombrias se abateram sobre ele e seu poder: uma conspiração. Foi denunciado no WhatsApp, já que o WhatsApp era a Instância Máxima no Reino da Uberlíndia. Fora denunciado por receber propinas na construção de ancoradouros para caravelas e barcos voadores provenientes da Grande Nave Mãe ancorada ao lado do Reino da Uberlindia e comandada por um panaca de cabelos cor de cenoura cujo único mote na vida era:"  -  Vou bombardear a Coreia do Norte e vou invadir a Venezuela." 
E o panaca enquanto dizia isto apalpava bundinhas no salão oval que tinha justamente este nome de oval porque era lá que ele contemplava seus ovos, ovinhos tão minúsculos, mais minúsculos que rabanetes orgânicos. 

O Rei Eustáquio III, este era um de seus nomes, ele tinha vários nomes, um deles era Batman, ele ganhou este nome quando num jantar vegano ele irritou-se e saiu, transformou-se num morcego gigantesco e saiu batendo asas.

Mas como eu ia dizendo, o Rei não se importava muito com aquela denúncia pois afinal fora publicada  no WhatsApp, e o WhatsApp que era a única instância de justiça do Reino é cheio de fake News e aquela poderia ser mais uma,  sendo ao final esclarecido que o Rei era honesto, justo, maravilhoso, e que tudo não passou de um engano. E que ele foi, é e continua sendo a pessoa mais honesta jamais posta sobre a face da Terra,  à exceção superado apenas pelo Marquês Adelmário de Barros, e pelo Duque Saulo Paluf, por coincidência ambos provenientes da mesma província do Reino: o Tucanistão.

-É tudo fake News! Tudo fake News! Bradava ele enquanto cortava a garganta de um bode preto durante uma missa satanista.

Mas eis que de repente, não mais que de repente, a las cinco en punto de la tarde, sem mais, sem quê nem para quê denunciaram o Delfin, logo o Delfin o primogênito, o herdeiro, o sucessor, o Delfin!
Estavam chegando muito perto de tudo. O Delfin, tão fofinho, que a gente não conseguia olhar para ele sem imaginar um saco de bacon.
O Rei grunhia desesperado:
- Em que tempos estamos?

E dizia isto enquanto lavava o rosto com óleo de peroba.

- Não há mais qualquer respeito a qualquer cidadão de bem. Cidadão de bem! Homens de Bem, como eu e Delfin, estamos à mercê de conspirações baratas. Sim! Porque isto contra mim e contra o Delfin não passa de uma conspiração barata para destruir a Família, a Pátria e a Propriedade Privada, sobretudo a minha propriedade privada.

Aí o o Rei mandou chamar imediatamente o seu Ministro da Educação que tinha cara de padeiro do interior e que por questões humanas tinha por pretensão ser o Inquisidor Mor da Avenida Boa Vista na bela recife. O Rei deu a ordem:

-Prenda todos os reitores do reino, Todos os reitores e professore, queime-os!

Essa ordem dada, vale dizer, não tinha nada a ver com a conspiração que envolvia ele e o Delfin, mas ele não se apercebia. Todos no reino sabiam que ele fumara estragado quando fora a um piquenique em Paquetá e tentou estuprar a Chiquinha Gonzaga que quando se viu assediada por um morcego deu-lhe uma guarda-chuvada na cabeça enquanto cantava: " _ ô Abre Alas que eu quero passar!"

A porrada na cabeça fora tão grande que ele nunca mais se recuperara passando então a ser denominado de Dona Maria II, a Louca, entrando assim, de vez, para a Glória Eterna da Lata de Lixo da História!



18 abril 2018

O Dedo-Duro


O Cabo Anselmo, símbolo do dedo-duro no País.




Desde pequenininho, quando ainda matava pintinhos passando com as rodas do seu velocípede por cima deles, encantado com  a possibilidade de exterminar os seus diferentes, Adalberto Palofi Silvério dos Reis, fora diagnosticado pelo psiquiatra alemão Von Stadt que tinha uma clínica de abortos e de próteses dentárias na Baixa dos Sapateiros, em Salvador, como uma personalidade equilibrada , patriótica e que ainda prestaria grandes serviços à Nação, nação que o psiquiatra germanosoteropolitano insistia em chamar de Uberalles e não Uberlíndia.

Não deu outra. Seguindo a genética dos Silvério dos Reis, orgulhosos de serem dedo-duros, agora pelo eufemismo tucano chamado de delatores, seguindo a mesma linha de raciocínio de que desempregados fazendo bicos como pipoqueiros, marmiteiros, passeadores de cachorros, e coçadores de costas de aposentadas desembargadoras coxinhas são agora chamados de  empreendedores, Seguindo a genética familiar Adalberto Palofi  Silvério dos Reis assim qu cresceu, não deu outra, filho de imigrantes pobres estabelecidos nos confins da terra, que fizeram fortuna dedurando gente lá no sertão,   saíra do Tucanistão onde nascera com a língua presa, a enfermeira nazi austríaca prendera com o alfinete a sua língua na fralda. O que o levou ao seu primeiro prazer anal que foi comer merda ainda no berço.  Jovem formado foi para a capital da Uberlindia, The National Surub, o que em bom berlindes significa a Suruba Nacional.

Seu objetivo era cumprir a honrosa missão familiar que ele perpetuava desde que seu tataravô denunciara Galileu e Giordano Bruno à Inquisição, e que sua tia dedurara seu cavalo Aloisius Ferrado por ter feito cocô na sala do Papa Bórgia:  partiu para cumprir a missão de gloriosa de  dedurar, delatar num bom tucanês.
Uma vez em National Surub entrou de cabeça , servil, nos meandros da pudibunda politica  local.

Ali ganhou dinheiro suficiente que daria para comprar até um quilo e meio  de contra filé no supermercado  o Bife do Outro,    que anunciava com estardalhaço na tv: compre um quilo de alcatra e ganhe de brinde uma Ferrari de ouro .
Milionário, mas sempre sacaneado por sua língua ainda presa ao berçário Vem Cá Nenem, me dá seu rin. Adalberto Palofi chegara ao seu momento de glória, e de orgasmo. Dedurar para ele era o orgasmo supremo. Tinha um prazer inenarrável. Supimpa mesmo! Sentia a calça a se molhar toda quando aproximava-se de um inquisidor da Uberlindia, sobretudo quando o Inquisidor exalava aquele odor de mula engravatada,  e suplicava : quero fazer uma delação em troca de preservar meus milhõezinhos amealhados com tanta maestria de corrupção.

"Entrego a cabeça de quem vocês quiserem, até do que resta de mamãe." A pobre senhora hoje era apenas um toco de gente, tanto que já fora presa e torturada delatada pelo filho, mas abençoava-o dizendo com a metade da boca que lhe sobrara: "é um legítimo Silvério dos Reis." Mas cruelmente acrescentava: "pena que tem a língua presa."

Adalberto Palofi Silverio do Reis não tinha escrúpulos, lealdade, ou limites: o importante era dedurar e cumprir assim a saga familiar, desde os Bórgias, desde Galileu, desde Tiradentes: e agora lutava para trocar sua liberdade e proteger seus milhõeszinhos dedurando aquela porra de nordestino odiado pela metade mais bondosa do Tucanistão, e   que aliás não fora por falta aviso que aquele líder popular  criara aquela cobra.

E agora a cobra repetia feliz aguardando a vez de ser chamada a dedurar: "quem pariu Mateus que o embale, é da minha essência , sou um Silvério dos Reis!"



11 março 2018

O Dedo Mindinho de Neymar





O dedo mindinho segundo estudos feitos na Universidade Antropófaga do Zimbabue que abastece  a Churrascaria Gay Alegria dos Homens,  de Guaratinguetá, o mindinho  está fadado a desaparecer. Trágica Notícia vem correndo o mundo acadêmico  para desespero dos ortopedistas  e gloria dos planos de Saude que gostariam que o corpo humano desaparecesse inteiro para não ter que cobrir despesas com esta coisa imperfeita denominada ser humano e suas patologias. 

O mindinho teve sua  razão de ser entre os símios e entre alguns militares de 64, que o exibiam com extrema destreza empunhando fuzis invadindo creches na caça a bebês subversivos.

Diz-se até mesmo que o santificado torturador Sargento Brilhante figura que passou à história em suas páginas mais opacas e obscuras sem nenhum brilho que justificasse seu prenome, possuía 32 mindinhos: 4 dele mesmo  e 28 arrancados a dentadas de comunistas renitentes, e que formavam um lindo colar à volta de seu pescoço.

Hoje o mindinho das mãos servem apenas para limpar o nariz, uso que se faz  em reservado como uma sublimada masturbação. Já o mindinho dos pés só nos lembramos dele e da mãe dos outros  quando damos uma topada. Os  mindinhos como os dentes siso perderão toda a serventia. Serão uma espécie de Ministro da Justiça da Uberlindia , embora ainda esteja lá, não serve pra nada.

Mas, de repente, as redações da Uberlínida redescobriram o valor de um mindinho.
Corrupção do rei da Uberlíndia, Intervenção de soldadinhos de chumbo na Carcolíndia, prisão do Sapo barbudo, quadrilha de jaburus, a lama de Mariana invadindo tríplex no Guarujá, desastre de avião diminuindo o quorum do STF, guerra da Síria e guerra de camelôs contra sírios que vendem esfirras, o bilau do Papa virado pra esquerda, nada disso entusiasmava mais os leitores , nada mais vendia notícia .

E aí surge salvador o mindinho do atleta, o único atleta de Uberlíndia. Na verdade Uberlíndia tem muitos atletas, mas todos de esportes menores, como vôlei, judô, remo, natação, tênis, vela, basquete e boquete cantante. Mas eis que existe um atleta que para glória da Uberlíndia e dos patrocinadores muiltinaconais que é o maior entre os maiores. E o coitadinho que é tão pobre que até é levado a sonegar impostos das touradas de Madri, machucou o mindinho.

Manchete em todas os jornais e telejornais. Fotos, radiografias, explicações detalhadas, mesas redondas e quadradas explicando o sinistro -         quando falo sinistro não pensem em Michel, o Vampiro, - não, falo do  sinistro ocorrido com o mindinho podálico do nosso herói. Se três semanas antes toda Uberlíndia passou a entender de uretra e canal e aparelho urinário de vampíros e zumbis, agora avançamos na nossa formação cultural e política entendendo que o mindinho inferior mais se assemelha na sua estrutura óssea a um terreiro de Umbanda pois é composto de três falanges: a Base, a Média e a Cabeça. Todas na maioria das vezes cambonadas por um calo metafísico. 

A Nação não discutiu outra coisa na última semana a não ser o dedo mindinho do pé de atleta.Agora, quando passar a onda do mindinho de ouro é aguardar o que vem por aí alimentando a mídia . Erra quem pensa em  questões sociais, politicas, estratégicas, energéticas, porra nenhuma. Deverá ser alguma muito mais premente e importante  para a construção da Nação, algo como uma foto do filho de uma subcelebridade comendo areia na praia de Maria Angu seguida de uma discussão nacional sobre as fezes  dos guaiamuns na produção de areia monazítica. 

Enquanto isso a vampirada  vai jogando areia no olho do povo  e vendendo a Uberlíndia pedaço por pedaço, da Amazônia ao Petróleo, ou:  do dedão ao Mindinho.





04 março 2018

Encontros com o Vampiro





Acabado o Carnaval o Rei da Uberlindia estava numa tristeza só, porque o povo julgava que ele era o Vampirão. O Drácula da Tuiuti. 
Prestara concurso para ser o Drácula, mas seu carma era ser vice, ficou em segundo lugar, e ganhou o posto de mordomo do Drácula. Obedecendo as ordens que o Chefe mandava de Washington.
Que tristeza... Mordomo...foi aí que o seu marqueteiro, Joseph Goebels sugeriu que ele espantasse a tristeza recebendo artistas, de preferencias comediantes.
Como eu havia perdido a boquinha da Lei Rouanet onde tirava por mês 320milhões de bitcoins e dois litros de guaraná Dolly, inscrevi-me no Edital Para Bobo da Corte do Mordomo do Drácula. E ganhei. Relato a experiência dos encontros com sua Santidade o Rei:

15de fevereiro – Depois de enxotar alguns jaburus, adentrei o Castelo. Encontrei Her. Fuherer muito assustado disse-me que mesmo tendo se mudado os fantasmas continuavam vindo à noite. Que a noite era um terror para ele. Sugeri que fosse dormir no Japão pois quando aqui era noite lá era dia. Contei para ele a piada do papagaio corrupto, mas ele não riu, apenas grunhiu. Um grunhido curto, mas forte o suficiente para assanhar uma manada de porcos do mato que estavam por ali à espera de um cargo qualquer em qualquer Ministério da Uberlindia.

18 de fevereiro – Hoje o encontrei possesso. Her. Fueherer, na verdade a oitava reencarnação de Joaquim Silvério dos Reis, proibiu que qualquer cidadão do reino se vestisse de vampiro, Paneleiro, ou pato, nem marreco, berrava ele   E também baixara um decreto proibindo até 31 de dezembro qualquer integrante da Tuiuti de comer purê de beterrabas ou pronunciar a palavra Tutancâmon, mesmo que de trás para a frente: nomaknatut. Tentei acalma-lo contando a piada do vampiro e o Modess, mas em vez de rir ele começou a chorar lágrimas de crocodilo que são raríssimas e só acontecem quando os jacarés assumem o Poder.

21 de fevereiro -Hoje a segurança me fez entrar pelos fundos. Encontrei-o de quatro no quintal a contar formigas. Percebi que seu estado mental decaira como previu o Dr. Ray e profetizara Divaldo Franco no programa “Bate Papo com o Além” pela tv UHF. Ele não conseguira o que mais almejava: a reforma da providencia. Desde criança alimentava o sonho de reformar a Providência Divina e agora que estava prestes a tornar o Deus Eterno em trabalhador temporário prestando serviços intermitente por mais cinco mil anos antes de se aposentar ele não conseguira os votos para isso. Os exus não vieram todos para gira. O Inferno não deu quórum. Contei a piada do capeta que era corno porque tinha chifres, mas foi pior: as formigas criaram asas e ele passou a comer bundas de tanajuras cantando o sucesso de Cely Campello: tomo um banho de lua...

24 de fevereiro – Hoje ele estava feliz.  Decretara a intervenção militar. Encontrei-o jogando war com um chefe de cozinha, uma condessa espanhola e um sósia do Diogo Mainardi. Ele acabara de conquistar a Venezuela. Achei de bom tom não contar piada alguma.

26 de fevereiro -  Dava pulinhos de alegria, e não calava a boca um minuto sequer, declarava ao único jornalista que comparecera à coletiva de imprensa, um sudanês que imprimia um jorna em mimeografo a álcool na capital Cartum. Dizia que a intervenção era um sucesso e que o povo o amava, mas tinha vergonha de dizer, que ele era o melhor rei que a Uberlindia já tivera e que ele seria eterno candidato à reeleição. Tentei ser mais engraçado que ele, mas desisti.

No dia de Hoje ele estava amordaçado e atado a uma cama com dois enfermeiros ao lado portando sedativos para cavalos. Não vi razão para graça, então puxei uma cadeira ao seu lado e li inteiro, num só folego, como sugestão “O Alienista” de Machado de Assis. Pelo brilho dos seus olhos pude perceber que ele estava dominado, amarrado, mas não vencido nem convencido. Sua obra de destruição da Uberlindia ainda não estava completa. 
Nos seus olhos pude ler: me aguardem no próximo Carnaval.